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Sabe-se que as escrituras não são de particular interpretação, mas sabe-se também que; a partir do mesmo texto, uns tem um entendimento e outros, outro.

Salomão escreveu que nada é novo e que há espaço e tempo para escrever livros, mas tudo é vaidade.

Creio verdadeiramente que um bom livro não pode ser substituído por nada, basta-nos ver o caso das próprias escrituras; se não tivessem sido escritas, o que seria que nós?

Os homens, poderíamos ter acesso a tantas maravilhas nelas contidas?

Tenho por costume pessoal a leitura e através dela, muitas coisas têm chegado ao meu conhecimento, até tenho conhecido homens que já há muito entregaram os seus espíritos; muitas biografias nos levam a verdadeiras descobertas de gente que nunca conhecemos pessoalmente.

É baseado nessa convicção que me proponho escrever este livro. É um documento de particular interpretação, uma vez que é o registro das conclusões que da Bíblia retirei.

Não a particular interpretação das escrituras, mas particular conclusão das interpretações.

O apóstolo Paulo escreveu o seguinte: “amados; estou em dores de parto até que Cristo seja formado em vós”. Ora este “até”, significa que isso não é imediato, mas vai acontecendo à medida que o caráter do novo crente vai sendo transformado. O que implica em dizer que não é de um dia para o outro que isso acontece.

Proponho-me elaborar este trabalho a partir dessa frase de Paulo. E para isso, escolhi doze homens que no meu entender, englobam todas as virtudes necessárias a um crente que deseje ver Jesus formado em si.

Cada personagem que passarei a apresentar despertou em mim uma determinada visão e desejo e creio que inspirado pelas suas virtudes, fui sendo transformado.

É necessário que o crente, ao ler a bíblia, retire dela as mensagens que o seu autor quer passar para cada um, caso contrário, de nada serve a sua leitura.

Tem por aí muita gente pensando que a partir do momento em que levanta a mão dentro de uma congregação, qualquer que ela seja já está tudo certo e novo, mas nós podemos observar que não é bem assim.

É claro que não é só isso. Se assim fosse, as palavras de Paulo, não fariam sentido algum. Mesmo depois de tudo o que ele já sofrera por amor e pelo nome de Jesus, ele não se considerava um homem com a garantia de entrar no reino de Deus. Isso nos mostra a seriedade de um verdadeiro crente.

Paulo sabia muito bem que muitas narrativas da bíblia descreviam homens que tinham tudo para serem salvos e não foram, porque vacilaram antes do final das suas vidas.

Escolhi doze personagens das Escrituras para traçar o paralelo que me parece indispensáveis na vida de qualquer crente.

Creio que este tema é muito sério, como o são todos aqueles que se propõem abordar a palavra de Deus, se quisermos traçar paralelos com personagens bíblicos, não nos faltam opções. Todos os que lemos a bíblia, nos identificamos certamente com alguns deles e chegamos mesmo a reconhecer as nossas vidas neles; e por incrível que pareça, foi para isso mesmo que eles foram colocados lá; para que nos sirvam de exemplos, de pontos de referência. Tanto para nos pautarmos para o bem como para não cairmos no mal.

Certamente, nenhum verdadeiro crente quer seguir pelo caminho de Caim. Se perguntarmos a qualquer um que tenha lido a passagem de Caim e seu irmão Abel, vai responder que quer ser como Abel.



Mas o curioso é notar que a maioria vive como Caim.

Abel, ao levar diante do Senhor Deus a sua oferta, estava dando mostras de conhecimento das necessidades de Deus. Parece até uma distração da minha parte, escrever “necessidades de Deus”. Mas então, Deus não é onipotente? Será que Deus precisa de alguma coisa?

Deus não quer fazer tudo sozinho, Ele precisa do homem para se materializar nele, para ser glorificado através dele, e isso fica bem claro através do sacrifício de Seu filho Jesus. Foi um Homem que foi sacrificado e não outra coisa qualquer. Deus precisou de um homem para cumprir a sua promessa antes feita em Gn3:15.

Bem no inicio de todas as coisas, Deus já se comprometia com o homem, feito à Sua imagem e semelhança. Daí, a necessidade que Deus tem do homem, para fazer cumprir nele as suas promessas, até porque Deus não é homem para que minta.

Percebe-se então o conhecimento de Abel dessa aliança.

Enquanto que Caim foi pura e simplesmente terreno, ao apresentar ao Senhor o que se deparou diante dele, sem que da sua parte tivesse existido qualquer tipo de esforço; uma vez que ao apresentar do produto da terra, bastou para isso colher o que o próprio Deus fizera brotar. Por conseguinte, não ouve da sua parte qualquer esforço ou dedicação.

E assim acontece com tantos crentes; oferecem a Deus o que lhes chega às mãos sem que se atente para a necessidade de Deus. Caim ofereceu o que Deus não precisava.

Abel por sua vez, na sua oferta, revelava um caminhar com Deus, uma vez que ele percebeu a necessidade de Deus. Ele não se furtou a oferecer o que lhe tinha custado sacrifícios.

Posso crer que naquele tempo havia na terra lobos e outros animais que tentavam matar as ovelhas de Abel; talvez Abel tenha até enfrentado ladrões de ovelhas, (alguns vão pensar que não tinha mais ninguém na terra) e outros perigos para defender o seu rebanho daí deduzimos que ele teve cuidados e trabalhos para preservar a sua oferta ao Senhor.

E ele apresentou o que de melhor tinha no seu rebanho. Ele já sabia que o plano de Deus precisaria do sacrifício do Cordeiro perfeito. Isso demonstrava um caminhar com Deus. A apresentação a Deus do cordeiro, determinava que ele mesmo se colocava à disposição do Senhor para esse sacrifício; por outras palavras, Abel estava dizendo ao Senhor: “eis-me aqui Senhor”.

É curioso notar que até parece que Deus foi injusto; tanto com Caim como com Abel.

Com Caim, porque ele também apresentou uma oferta e Deus não especificara qual o tipo de oferta a ser apresentada; pelo menos nos registros bíblicos ela não consta. Então porque rejeitou Deus a oferta de Caim?

Porque ele, assim como muitos crentes, não buscava primeiro o reino dos céus, para que todas as outras coisas lhe fossem acrescentadas, mas fez exatamente o oposto: atentou para as coisas terrenas sem sequer se importar; nem com as coisas celestiais, nem com as necessidades de Deus. Foi egoísta e material e o resultado, todos nós já sabemos.

Caro leitor; não atentar par o Criador, é o primeiro passo para o desastre pessoal, familiar e social.

Cabe a nós crentes perguntar ao Senhor o que Ele está precisando de nós, para que de seguida possamos então dar atenção as nossas empreitadas com a parceria Dele e aí sim; termos o sucesso garantido, porque Deus nunca perdeu nada; em todas as coisas que tocou, tudo deu fruto bom.

E Abel; porque parece então que também ele foi injustiçado?

É de esperar que aquele que faz o bem, receba de volta o bem. Quando o semeador escolhe boas sementes, espera ter bons frutos e não que as sementes venham a morrer. Ora Abel apresentou o que Deus precisava e esperava, tanto assim é que está escrito que ”Deus se agradou da oferta de Abel, porém para a de Caim, não atentou Ele”.

Então porque razão deixou Deus que Caim matasse Abel?

Não parece injusto que aquele que desagradou a Deus tenha ficado vivo e o que agradou tenha sido morto?

Aqui começamos a perceber a verdadeira mensagem bíblica. A vida que Deus quer dar aos seus filhos, não é forçosamente a vida terrena, mas aquela que para Deus é preciosa, é a vida eterna que foi o objetivo do envio do Seu Cordeiro perfeito para o sacrifício que Abel percebeu e Caim não.

Primeiramente, creio que é de suma importância que cada crente conheça as escrituras.

Este conheça, é apenas de ter lido e não de saber interpretar tudo; por isso tenho para mim que é um privilégio de muito poucos. É, portanto necessário ler a bíblia, para se poder ter a noção dos nossos direitos e obrigações.

Estou certo de que mesmo sem ter lido a bíblia, todo o crente conhece a narrativa de Caim e Abel, mas já não estou tão certo de que todos tenham entendido essa passagem.

Todos nós, temos por certo que a atitude de Abel foi a atitude correta, mas porquê?

Caim e Abel, tinham o mesmo pai e a mesma mãe e nem por isso tinham a mesma doutrina ou entendimento.

Assim é no seio das congregações. Uns estão atentos para as necessidades do Senhor, outros só para as suas.

Deus precisava de um Cordeiro perfeito e Abel atendeu ao Seu pedido.

Diremos então que a oferta de Abel foi a oferta perfeita.

Nós, crentes, precisamos saber oferecer ao Senhor a oferta perfeita.

Neste ponto, cabe a cada um de nós saber qual a sua oferta perfeita. Creio que cada um tem que entender qual é a oferta que Deus está lhe pedindo.

Se nos aprofundarmos um pouco mais sobre essa passagem bíblica, veremos então que a injustiça de Deus que à partida parecia ter existido, não passava de mera impressão, pois Caim estava caído; isto é: não atentava para as coisas de Deus, mas só para as suas.

E os crentes de hoje?

Pelo menos muitos crentes de hoje: não estarão nos caminhos de Caim?

Cabe mais uma vez a si mesmo examinar o seu lado.

E se você é um Abel, é isso que Deus quer; que todo aquele que quiser olhar para Ele como Abel olhou, se torne seu parceiro.

Uma parceria em submissão ao próprio Criador, o que só pode levar à vitória final.

Dessa forma o Senhor será glorificado no homem e pelo homem.

Que coisa maravilhosa, caro leitor; o Senhor Deus se materializando em nós, simples mortais!!

Abel entendeu isso e Caim não. Essa foi a diferença fundamental entre os dois.

Caim teve direito a desfrutar dos bens desta terra por muitos anos, enquanto que Abel já não podia fazê-lo e isso parecia uma injustiça, mas Abel já estava desfrutando da companhia de Deus para a eternidade, enquanto que Caim teve de suportar todas as adversidades e o mal inerente a cada dia. Como disse Jesus: “basta a cada dia o seu próprio mal” e foi desse mal que Caim não se livrou durante a sua vida terrena e quem sabe, nem depois da morte. O que é ainda mais grave, por se tratar da vida eterna, ou melhor: morte eterna.

Ao terminar a minha visão do primeiro personagem bíblico que me inspira, gostaria então de dizer que: no meu entender, todo o verdadeiro crente precisa ter um pouco de Abel; isto é: deve oferecer a Deus uma oferta perfeita. Sei que muitos vão pensar que oferta perfeita, só Jesus, mas não é o que se pede aqui.

Depois de oferecermos a Deus essa oferta, e saiba que; essa oferta, sempre vai pedir-lhe que abra a mão de alguma coisa que aos seus olhos é muito importante, mas que aos olhos de Deus, não passa de mera visão terrena.

Assim como Deus não estipulou regras de oferta para Abel nem para Caim, Ele também não vai estipular nada para si, mas não esqueça o leitor que Jesus ressaltou sobre tudo o amor.

Tente sempre dar uma oferta de amor e ela será certamente agradável ao Senhor.

O mesmo livre arbítrio que tiveram Abel e Caim, temos nós e o que vai fazer a diferença, é o seu amor por Jesus e a oferta que estamos dispostos a dar.

Abel buscou primeiro o Reino dos Céus, já Caim...

E você?

Que tipo de oferta está levando diante de Deus?

Abel ou Caim?

 
 
 

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