Fé
- Rui Nascimento
- 29 de jan.
- 5 min de leitura
Muitos homens e mulheres deram grande prova de fé ao longo de todas as narrativas bíblicas, mas certamente, ninguém se aproximou de Abraão; claro está, excetuando o próprio Jesus.
Talvez este seja o ponto mais delicado de toda a bíblia; fé.
Basta recordar a passagem que nos diz que a fé é a certeza das coisas que se não vêem.
Imagine então: alguém se aproxima de si, e lhe pede que você comece a descrever tudo o que se encontra dentro da sala do apartamento do décimo andar, do prédio que se encontra na sua frente. Você nunca entrou dentro desse apartamento.
Como você iria se sentir?
Ou melhor, o que iria pensar dessa pessoa?
Se você é crente, é muito provável que você fosse pecar diante de tal pedido.
Imagine então que você é mãe de um menino maravilhoso e que seu marido lhe comunica que resolveu ir ao monte matar o seu filho!!!
Também temos em Abraão um caso de percepção das coisas de Deus. Ele não estava preocupado com o seu filho, mas com a necessidade de Deus.
A verdadeira preocupação do crente deve ser a de servir, mas nos nossos dias o que mais se vê, é o crente que quer ser servido. Se não pelos homens, por Deus. Instalou-se no meio crente certa propensão ao parasitismo.
Em todas as correntes feitas para a prosperidade, as igrejas enchem; mas quando participamos de cultos da família ou de estudo bíblico, é uma tristeza só.
Isso demonstra essa propensão paro o ser servido e boa dose de Caim.
Abraão teve como qualidade maior a fé, mas se observarmos mais atentamente poderemos entender que ele tinha não só a fé, mas uma vontade enorme de servir e de se desprender das coisas terrenas. Ele era fiel e essa foi a sua grande virtude.
A sua fidelidade está bem patente primeiramente para com Deus, porque se ele era amigo de Deus, precisava de Lhe provar a sua fidelidade.
A amizade não sabe negar; ela é fiel, e quando Deus lhe pediu um favor, Abraão não soube negar. Deus estava precisando de um favor. Deus precisava apresentar à humanidade o seu filho em sacrifício e precisava de o fazer sem hesitar.

Abraão ouviu, entendeu e disse “eis-me aqui”.
Como Abraão sabia que o filho não era seu, não fez mais do que o devolver a quem lhe havia confiado para que cuidasse dele por algum tempo.
Por outro lado, ele sabia que estava escrevendo o plano de salvação elaborado pelo seu Amigo e tudo o que o envolvia era a sombra do porvir, por conseguinte teria de ser escrita de forma perfeita para que não houvesse falhas.
Por essa razão Jesus afirmou: “Abraão viu os meus dias e exultou”, o que viria a escandalizar os religiosos de então, que não entendiam nada de fé, assim como uma grande parte dos de hoje. Não pense o leitor que muitas coisas mudaram desde os dias em que Jesus andou na terra até aos dias de hoje.
Só foi possível a Abraão obedecer, porque ele viu os dias de Jesus e o sacrifício da cruz. Ele viu o plano de Deus.
E você; já viu o quê?
Deduzo eu que: se Abraão viu os dias do Senhor Jesus na terra, nós crentes, temos de ver o dia da volta do Senhor. E não apenas ver esse dia, mas desejar ardentemente por ele, para que enfim seja estabelecida na terra a justiça de Deus, e o diabo que agora é o rei do mundo, seja finalmente destruído.
Se os crentes desejarem esse dia, o império das trevas não vai poder resistir a tantas orações e clamores.
Está faltando verdadeiro interesse pelas coisas de Deus e está sobrando apego às coisas terrenas. Não que não possamos desfrutar delas, mas em segunda instância.
Quando Abraão perguntou a Ló qual caminho ele queria seguir, logo ele respondeu que; escolhia as campinas verdejantes, e por conseguinte não se importou de enviar para a terra seca, aquele que lhe havia estendido a mão, sabendo que ali não avia grande perspectiva de criar o que quer e fosse.
Mas o que fez a justiça divina?
Logo tratou de honrar aquele que não hesitava em socorrer o que precisava e isso por fidelidade para com o seu Criador.
Também sabemos das tribulações de Ló após esse episódio.
Assim acontece com os crentes a quem cresce o olho para as coisas deste mundo, em detrimento da fidelidade para com Deus em primeiro lugar e para com os homens em segundo.
Porque assim agiu Abraão; primeiro foi fiel ao plano de Deus e depois foi fiel a si mesmo. Mesmo depois de ter sido passado para trás por Ló, não hesitou em enfrentar cinco reis para resgatá-lo.
Mas, foi a fé no porvir que moveu o Pai dos crentes e fez com que ele ao ver os dias do Senhor, soubesse que mesmo que Isaque morresse, (Gn 22:10), Deus o ressuscitaria, porque essa era a visão que ele tinha de Jesus: ressurreto de entre os mortos e ele sabia que Isaque tipificava Jesus Cristo.
Diremos então; com essa certeza, foi fácil dispor-se a entregar o seu filho. De certo, mas o mais difícil é chegar a essa certeza.
É nesse ponto que a fé faz a diferença entre os que têm e os que não têm. E como a fé vem pelo ouvir e o ouvir a palavra de Deus, não conheço meio mais eficaz do que fazer da bíblia a sua companhia diária em primeiro lugar e congregar em segundo.
Companhia, não para carregar, mas para ler. Diariamente e com muita reverência e atenção.
Quando falo “com reverência”, quero dizer: postura, não ler a bíblia deitado, não aproveitar os momentos de ida no banheiro, como se fosse ler qualquer rótulo de sabonete, em um ambiente perfeitamente impróprio para se encontrar com Deus, etc.
Essa fé de Abraão permitiu-lhe dizer a seus servos que ficassem onde estavam e esperassem, porque ele e o rapaz iriam adorar e voltariam.
A esse ponto ele já era conhecedor dos planos de Deus. A questão é: como?
Ele também atentava em primeiro lugar para Deus a ponto de se tornar seu amigo e, por conseguinte o seu espírito estava ligado ao Dele.
Quando o marido tem um entendimento perfeito com a sua esposa, não raras vezes se diz que eles são cúmplices. Bastas vezes, quando um vai falar alguma coisa, o outro já sabe o que o ele (a) quer dizer.
A isso se chama andar no mesmo espírito.
Mas não é possível chegar a esse estágio se o marido sair todos os dias com outras mulheres, ou se a esposa passar o seu tempo no cinema com as amigas, ou pendurada em novelas e o marido agarrado ao futebol e outras coisas mais que foram criadas com a intenção de acabar com o espírito de família que deveria existir; pelo menos nas casas dos verdadeiros crentes.
Abraão não se deixava distrair por nada; ele conhecia a Deus, porque andava com Deus.
Assim como ele viu os dias do Senhor, ele também conhecia a lei e a cumpriu, mesmo antes de Deus ter dado a lei.
Ele conhecia Js1:8 e praticava o que lá está escrito.
E você; como anda nas suas caminhadas?
Estão sendo com Deus, ou no seu caminho tem aparecido alguma distração, comum aos que olham para as campinas verdejantes?
Em Abraão já havia o senso da oferta perfeita, justiça, retidão e caminhava com Deus, o que levava a uma fé inabalável.
Por outras palavras; assim como ele tinha visto os dias de Jesus, ele também viu os de Abel e Noé.








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